Um pouco na onda do artigo do Paulo Querido sobre o facto de a web social ser menosprezada nas campanhas políticas cá em Portugal (ao contrário do que acontece nos USA) ando um pouco interessado não em política 2.0 (sendo o termo política aqui igual a campanhas políticas e isso), mas em Governo 2.0.
Então o que é isso do Governo 2.0 (tradução de Government 2.0)? Bem, na democracia é suposto todos parciparem (ou poderem participar) na vida política. Mas de momento o que acontece é que a participação de 90% da população é reduzida a votar nas principais eleições (e cada vez menos!). E ficam-se por aí. Ora o Governo 2.0 é o facto de as pessoas poderem participar activamente no governo do país. E não só votar e deixar os vencedores governar por si próprios. Este termo veio também na onda da Web2.0, visto que poderá ser uma boa aplicação das capacidades sociais da Internet.
Mas será isto possível? Imaginem um fórum, ou uma rede social, onde os cidadãos poderiam colocar os problemas que vêm na governação (uma espécie de GetSatisfaction para o nosso Governo) e mesmo propor sugestões? Isto seria catastrófico, e iria ser flamewars por spammers que acham que o seu partido é o maior. É triste, mas é a realidade portuguesa (ou mesmo humana, olhando por exemplo para o youtube).
No entanto acho que seria possível a um nível mais pequeno, como juntas de freguesias, ou pequenos municípios (embora fosse necessário sempre uma moderação, que iria ser certamente confundida com censura, mas pronto). Ou a nível de outras iniciativas, como a Metronauts, uma comunidade que organiza pequenos eventos (espécie Barcamp) mas com a finalidade de discutirem o futuro da rede de transportes na sua área. E a partipação e interessa das empresas e organizações do meio ajuda a que saiam frutos dessas reuniões. Recomendo vivamente a apresentação dada na Mesh08 sobre Government 2.0 em que este exemplo foi referenciado.
A apresentação é bastante inspiradora e faz querer mudar este país para melhor. Mas primeiro falta divulgar esta nova Web às pessoas que preferem ficar apáticas e reduzidas à passividade da televisão.