A realidade da habitação em Portugal é completamente fora deste mundo. A minha geração e a mais nova não consegue pagar o custo que a habitação tem sido nas grandes cidades, nem no Algarve.
O Ivo Bernardo fez uma análise da situação da habitação em Portugal, baseado em números públicos de uma variedade de fontes.

- Public housing: this is where the data sides most with the protesters. Social rental housing is 1.1% of dwellings in Portugal, against an EU average of 8%. At €150,000 per home, 3% financing and public land, a cost-rent home in Lisbon breaks even at about €10.9/m² a month, 35% below the city’s median new rent. It can almost pay for itself exactly where it’s needed most. Remember the €1.74 billion NHR cost in 2024? That’s roughly 11,600 of those homes. In one year.
- Vacant homes: worth chasing, in the right places. The 100,000-plus recoverable homes in pressure municipalities are real.
- Limiting investment funds: I can’t back it or reject it, because the data doesn’t exist. Before we legislate, we need to measure.
— The housing crisis in Europe pt1 by Ivo Bernardo
Por sua vez, o João Tomé usa também dados reais para analisar a questão das casas vazias.
Em 2021, quase 249 mil casas estavam vagas por outros motivos, fora do mercado, em edifícios sem necessidade de reparação ou apenas com reparações ligeiras. Os dados ajudam a localizar uma possibilidade de resposta à falta de habitação. Ainda não dizem quantas dessas portas se podem abrir. As experiências de outros países ajudam a escolher o que tentar: apoiar obras, gerir o arrendamento e reforçar a oferta nas zonas com procura.
— Quantas casas vazias podem voltar a ter gente? por João Tomé
O artigo inclui ainda uma tabela com referências para medidas que foram implementadas noutros países e os resultados.
De ambos os estudos, a minha conclusão é que precisamos de mais construção e reabilitação, precisamos de melhores números e acompanhamento da situação e, sobretudo, precisamos de descentralizar a população nas grandes áreas metropolitanas.
Infelizmente, manifestações de tendas dão-me pouca confiança que algo vá mudar. Mas termos novas iniciativas políticas que trabalhem estes desafios parece-me algo com maior probabilidade de funcionar. O resultado na Sérvia de um movimento estudantil ganhar as eleições inspira-me confiança, mas não podemos ter a taxa de abstenção que tem sido habitual no nosso país.