Alcides Fonseca

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Boicote à gasolina???

Recebo um email (e já marcado como spam) a divulgar um fórum onde se debate e organiza um boicote nacional aos postos BP, Galp e Repsol. Eu até nem ando muito de carro (apesar de ter a carta, não tenho carro porque não preciso para o meu trajecto normal, mas de vez em quando lá dou umas voltas à noite, ou ao fim de semana para fora de Coimbra), mas achei curioso e fui ver mais.

Ora o site em questão, boicote.pt.vu faz lembrar-me os sites que eu fazia com 11, 12 anos, mas de qualquer forma sempre foi uma iniciativa. Infelizmente a meu ver não foi uma iniciativa muito bem pensada.

Queixam-se da subida abrupta dos combustíveis. Não que sejam as gasolineiras que sejam culpadas disto, é apenas o preço de mercado que está a aumentar. Se há pouco petróleo disponível, é normal que o preço dos derivados suba. E não vai ser boicotando estas empresas que vão resolver esse problema. Especialmente multinacionais como a BP ou a Repsol.

A solução que deveria ser tomada, seria promover meios alternativos de locomoção, como transportes públicos, bicicleta ou mesmo a pé (que é o que eu utilizo). Já pensaram mesmo se para todos os trajectos que fazem é mesmo necessário usarem a vossa viatura? E se sim, pensem que o próximo carro poderá ser eléctrico ou então híbrido. Pode ser que faça diferença ao final de algum tempo! Ou então Segway (como fez o nosso amigo Pedro) que não consomem gasolina!

Governo 2.0

Um pouco na onda do artigo do Paulo Querido sobre o facto de a web social ser menosprezada nas campanhas políticas cá em Portugal1 (ao contrário do que acontece nos USA) ando um pouco interessado não em política 2.0 (sendo o termo política aqui igual a campanhas políticas e isso), mas em Governo 2.0.

Então o que é isso do Governo 2.0 (tradução de Government 2.0)? Bem, na democracia é suposto todos parciparem (ou poderem participar) na vida política. Mas de momento o que acontece é que a participação de 90%2 da população é reduzida a votar nas principais eleições (e cada vez menos!). E ficam-se por aí. Ora o Governo 2.0 é o facto de as pessoas poderem participar activamente no governo do país. E não só votar e deixar os vencedores governar por si próprios. Este termo veio também na onda da Web2.0, visto que poderá ser uma boa aplicação das capacidades sociais da Internet.

Mas será isto possível? Imaginem um fórum, ou uma rede social, onde os cidadãos poderiam colocar os problemas que vêm na governação (uma espécie de GetSatisfaction para o nosso Governo) e mesmo propor sugestões? Isto seria catastrófico, e iria ser flamewars por spammers que acham que o seu partido é o maior. É triste, mas é a realidade portuguesa (ou mesmo humana, olhando por exemplo para o youtube).

No entanto acho que seria possível a um nível mais pequeno, como juntas de freguesias, ou pequenos municípios (embora fosse necessário sempre uma moderação, que iria ser certamente confundida com censura, mas pronto). Ou a nível de outras iniciativas, como a Metronauts, uma comunidade que organiza pequenos eventos (espécie Barcamp) mas com a finalidade de discutirem o futuro da rede de transportes na sua área. E a partipação e interessa das empresas e organizações do meio ajuda a que saiam frutos dessas reuniões. Recomendo vivamente a apresentação dada na Mesh08 sobre Government 2.0 em que este exemplo foi referenciado.

A apresentação é bastante inspiradora e faz querer mudar este país para melhor. Mas primeiro falta divulgar esta nova Web às pessoas que preferem ficar apáticas e reduzidas à passividade da televisão.

1 Em relação a isto, realmente há uma aposta muito fraca neste campo na Internet (e ainda nem se chegou à web social), mas como Portugal também não está propriamente convertido a esta moda, se calhar eles estão a ir pelos meios que lhes trazem mais resultados. Por exemplo, por ser sócio do PSD (don’t even ask!) recebi SMSs de um dos candidatos quando veio cá a Coimbra, e ainda um telefonema no próprio dia. Isto é uma forma melhor de abordar as pessoas em Portugal, do que pelo Twitter por exemplo.

2 87,6% de todas as estatísticas são inventadas.